A polícia baiana investiga a possível ligação entre a disputa por um
terreno avaliado em R$ 14,5 milhões e os assassinatos, na manhã de
ontem, em Salvador, do empresário André Cintra Santos, de 54 anos, e de
seu filho, o estudante de engenharia ambiental Matheus Braga Cintra, de
21.
O crime ocorreu no terreno em questão, um lote de 240 mil metros
quadrados na avenida mais movimentada da cidade, a Paralela - que faz a
ligação entre o aeroporto e o terminal rodoviário.
Segundo testemunhos, Santos havia ido ao terreno, localizado nas
proximidades do Parque de Exposições - onde foi realizado, nesta
semana, o Festival de Verão -, para fotografar uma placa, instalada
pela Prefeitura, na qual havia o aviso de que não era permitida a
cobrança de estacionamento no local.
Enquanto fazia as fotografias, ainda de dentro do carro, Santos e o
filho foram abordados por dois homens, que dispararam mais de 15 vezes.
As vítimas morreram no local. Os atiradores fugiram em seguida, em
outro carro, sem levar nenhum objeto de valor - nem a câmera que o
empresário segurava.
A disputa judicial pela posse do terreno tem 14 anos. Foi iniciada
porque o antigo proprietário teria morrido antes de passar a escritura
ao suposto comprador da área - de quem Santos virou sócio. A empresa
FB&A Construções, porém, alega ser a detentora da propriedade, que
já estaria sendo negociada para outra empresa, uma multinacional. O
processo corre na 19ª Vara Cível de Salvador.
Santos também tinha ligações com o Poder Judiciário baiano e chegou
a testemunhar na investigação da Operação Janus, que descobriu um
esquema de venda de sentenças na Justiça do Estado, em 2008. Desde
aquela época, o empresário dizia receber ameaças de morte.
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