Mais de 800 delegados do Partido Comunista de Cuba (PCC) iniciaram
neste sábado uma inédita conferência de dois dias em busca de deixar
para trás os "dogmas e critérios obsoletos" que freiam as reformas
econômicas do presidente Raúl Castro.
Liderada por Raúl Castro, primeiro secretário do PCC, "deu
início esta manhã (de sábado) a Primeira Conferência Nacional da
organização", disse o site oficial Cubadebate, que indicou que
"as palavras de abertura foram pronunciadas pelo companheiro José Ramón
Machado Ventura", segundo secretário do Partido.
Completou que "posteriormente, os delegados começaram a
realizar sessões em quatro comissões, nas quais se analisam os temas
contidos no projeto de documento base da conferência", que se
desenvolve no Palácio das Convenções de Havana, onde também se reúne
duas vezes ao ano o Parlamento cubano.
As comissões são de "métodos e estilo de trabalho (...); o
trabalho político e ideológico; a política de quadros e, finalmente, as
relações da organização partidária com a UJC (União de Jovens
Comunistas) e as organizações de massas", disse o Cubadebate.
A polícia bloqueou desde o amanhecer as ruas de acesso ao
palácio por conta da conferência, na qual não foi permitida a entrada
da imprensa estrangeira.
Nesta primeira conferência ou congresso extraordinário, que
será concluída neste domingo, os 811 delegados têm a complexa tarefa de
renovar o partido único que há meio século governa a ilha.
O conclave tem o "propósito essencial" de "acelerar o
desenvolvimento da sociedade e afiançar as Diretrizes Econômicas e
Sociais aprovadas no Sexto Congresso (do PCC, em abril de 2011), a
partir do conceito de que não há ideologia sem economia", disse neste
sábado o jornal oficial Granma.
A conferência é a primeira que o PCC tem desde
que foi fundado em 1965 por Fidel Castro, que entregou o comando em
2006 a seu irmão, por problemas de saúde.
Raúl Castro afirmou que "a primeira coisa que
estamos obrigados a modificar na vida partidária é a mentalidade que,
como barreira psicológica, é a que mais nos dá trabalho, por estar
atada a dogmas e critérios obsoletos", segundo o Granma.
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